quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ciop recebe 1 milhão de trotes

Nos primeiros oito meses deste ano, o Centro Integrado de Operações (Ciop) recebeu mais de um milhão de trotes. Esse, aliás, é um dos maiores problemas enfrentados pelo órgão. De 1° de janeiro a 31 de outubro deste ano, foram exatos um milhão e 82 mil ligações, o que representa um percentual 34,52% de um total de 3,134 milhões de chamadas recebidas pelo Ciop ao longo do ano. Apesar de alarmantes, os números sofreram uma ligeira redução, garantiu o major Ferreira Júnior, que faz parte da coordenação das viaturas que atendem os serviços da área metropolitana de Belém. Segundo ele, os atendentes do Ciop passaram a reconhecer os trotes com mais facilidade, através do identificador de chamadas (conhecido como Bina) instalado nos aparelhos e, também, da linha de investigação do sistema de segurança pública. "Temos buscado alternativas para combater essa prática. Através do equipamento, conseguimos registrar o número do telefone de onde está se originando a ligação. Conseguimos, ainda, o CPF (da pessoa) e o endereço de onde a ligação foi feita", afirmou o major.
Além de aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, os atendentes também tentam descobrir, por
meio de perguntas específicas, se o relato é verdadeiro. "Somos orientados a fazer perguntas que podem nos ajudar a descobrir se realmente a informação é válida. Só depois desta confirmação é que nós encaminhamos a chamada para as viaturas", disse a atendente Gisele Araújo, que há dois anos trabalha no Ciop. Ela contou que já recebeu os mais variados tipos de trotes, principalmente de crianças. Mas o que mais perturba, e pode causar sérias complicações, é relacionado a palavras obscenas. "Alguns homens ligam várias vezes para ficar falando indecências pra gente", disse.
 
CRIME

Nesses casos, o major ressaltou que a linha de investigação é ainda mais rígida. "Quando a pessoa persiste em passar o trote, ela passa a cometer um crime e, se for confirmado, poderá responder criminalmente por isso", alerta. Os trotes recebidos pelo Ciop são prejudiciais em todos os aspectos. "Toda vez que os policiais são encaminhados para uma ocorrência que, na verdade, é um trote perde-se muito tempo, sem deixar de observar que enquanto os militares estão ‘atendendo’ a uma falsa ocorrência, uma outra situação real pode estar acontecendo e deixando de ser coberta, explicou o major. O Código Penal Brasileiro (CPB) considera crime, passível de um a três anos de detenção, além de multa, o acionamento indevido de serviço de socorro. Passar trote para a Polícia Militar e outros órgãos governamentais é crime, de acordo com o artigo 340 do CPB: "Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou contravenção que sabe não ter se verificado, é considerado crime".
 
Fonte: O Liberal

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